Olá, e sejam bem-vindos. Sou Vovó Lurdes Pereira. Nasci e cresci numa casa de xisto do Douro, agarrada à encosta entre as vinhas e as oliveiras, e há cinquenta anos que cuido do jardim, da horta e da casa da minha família. Foi entre estas pedras quentes e estes socalcos que aprendi o essencial: a terra não se manda, escuta-se. Este site é a minha maneira de continuar a transmitir o que aprendi, a partir do caderno de notas que nunca me larga.
O quintal, antes da escola
A minha avó tinha um quintal em socalcos atrás da casa de xisto, com uma latada que dava sombra ao Verão e uma horta que dava de comer o ano inteiro. Em pequena, a minha tarefa era regar as couves ao fim da tarde e apanhar as amêndoas caídas debaixo das árvores. Ela não dava lições; punha-me a enxada na mão e o exemplo à frente.
Só mais tarde percebi que aquele quintal era uma escola rara. No Douro o sol aperta e a chuva é pouca, e a terra só paga a quem a sabe poupar — com água contada, sombra na hora certa e o xisto a guardar o calor do dia para as noites frescas. Aprender a cuidar de um jardim aqui é aprender a ter paciência com o tempo.
Cinquenta anos de mãos na terra
Toda a vida cuidei do quintal da família: a latada que dá as uvas, a horta de tomate e couves que acompanha a mesa, os vasos de ervas no parapeito da cozinha e as roseiras à beira do muro. Nunca fui profissional de viveiro; fui filha, neta e vizinha de quem sabia, e fui apontando tudo num caderno que já vai na terceira capa.
A paciência, a minha melhor ferramenta
Quem vem de fora acha o Douro duro para as plantas; eu aprendi a trabalhar com ele em vez de lutar contra ele. Escolho o que gosta de sol e de terra seca, guardo os cantos frescos para o que é mais delicado, e rego devagar, sempre ao fim do dia, para a água não se perder no calor.
Se há uma filosofia neste quintal, é a paciência. Cada planta tem o seu tempo, e a terra ensina-nos a esperar: a videira só dá uvas quando está pronta, e a couve só engrossa com o frio. Connosco, garanto-vos, é igual.
Os meus pequenos prazeres
De manhã cedo dou a volta ao quintal com a chávena de café na mão, antes de o sol aquecer as pedras. Vejo como vão as vinhas, troco duas palavras com as vizinhas por cima do muro de xisto e, à tardinha, escrevo no caderno o que a terra me disse. São rotinas pequenas, mas é delas que se faz um quintal — e uma vida.
O que vão encontrar aqui
Vão encontrar aqui guias práticos para o jardim e a horta — as flores, as hortaliças, as plantas de dentro de casa e a defesa contra as pragas — e também os truques de casa que fui juntando ao longo da vida, da limpeza e da arrumação à cozinha e à despensa. Tudo provado na minha casa do Douro, explicado sem pressa e sem palavras caras.
Se as minhas palavras vos acompanharem um pouco no vosso próprio jardim, dou-me por contente. E se quiserem escrever-me umas linhas, encontram tudo o que é preciso na página de contacto. Fico à vossa espera.
— Vovó Lurdes, desde o Douro